23
Aug
Esta última semana foi o inferno na terra, mais precisamente na PUC. Foram aqueles quatro dias em que os empresários têm passaporte de entrada para fazer seu marketing pessoal na universidade: a Mostra PUC. Criada há doze anos atrás, a Mostra PUC vem infernizando a vida de todos os aluninhos sem propósito algum. Explico. Durante quatro dias do ano, a PUC se enche de estandes e workshops das maiores marcas do mercado com o intuito de distribuir estágios. A teoria é linda.
O que consola os aluninhos é que, ao menos, cada estande dá algum brinde legal, aumentando o seu estoque de canetas e bloquinhos, que se espera durar um ano inteiro e muitas apurações.
O meu problema é que eu não tenho a cara de pau de certas pessoas que mal pisam no estande e pedem “Moça, me dá uma caneta?”. Eu realmente faço perguntas sobre o estágio, tiro dúvidas e me inscrevo. E ganho caneta? Não, no donuts for me. Aparentemente, só ganha caneta quem tem cara de pau.
Na sexta-feira, último dia do purgatório, eu me rebelei, resolvi pedir todos os brindes que eu não tinha pedido até então. Comecei pela SulAmérica. “Moça, eu sei que vocês não têm estágio pra mim, mas será que vocês têm caneta pra mim?” e a boa moça: “Claro! Aproveita e leva o nosso folder!”
Mais fácil do que eu imaginei. Vamos continuar. Fui para o estande da Acatu, que estava distribuindo umas bolinhas com cara de smile foférrimas, e que várias pessoas lá do estágio pegaram. “Moça, me dá uma bolinha?” “É só para quem se inscrever” “Mas eu faço jornalismo” “Nós temos comunicação interna” “Mas eu não quero comunicação interna, eu quero jornal!” “Se eu der pra você, vou ter que dar pra todo mundo” “¬¬ obrigada…” Me senti uma cara de pau idiota atrás de uma bolinha smile, me senti uma dessas crianças de uniforme laranja de colégio público que roda todos os estandes procurando bala. Mas depois eu parei para analisar a situação:
Como eu disse antes, a teoria da Mostra PUC é linda: unir empresas e futuros estagiários, dar condições ao primeiro emprego, blá blá blá. Acontece que, todos aqueles estágios estão abertos na internet. Não há diferença nenhuma entre se inscrever pela Mostra ou pela internet, a não ser o comodismo e a facilidade de fazer isso da sua poltrona sem ter que se engalfinhar com 10 mil pessoas em um espaço muito pequeno. “Ah, mas e quem não tem computador?” Quem não tem computador não estuda na PUC, até porque o RDC (Rio DataCentro – laboratório de computadores) é de graça e para todo mundo.
Logo, se o objetivo dos estandes não é dar estágio, qual é?
Marketing! Eles fazem palestras falando como a sua empresa é linda, como eles tem responsabilidade social, como vale a pena estagiar lá e, ao mesmo tempo, sem que você perceba, ele contrata não empregados, mas consumidores. Ele vende a própria marca para um monte de universitário que provavelmente não vai nunca trabalhar lá.
Eis que eu paro pra pensar: quem foi que fez o melhor marketing? A Icatu, que vai continuar desconhecida para os meus coleguinhas da comunicação e mal-falada por mim por ter hostess chatas, ou a SulAmérica, que tinha uma hostess super legal, que me fez levar um folder e ainda uma caneta com a marca da empresa impressa que vai circular por mãos e mãos toda vez que eu emprestar a minha caneta e alguém perguntar “Que caneta legal, de onde é?” “É da SulAmérica, ganhei na Mostra PUC”?
11
Aug
Dependendo do seu poder aquisitivo, relações pessoais com funcionários ou sistema de milhas, sua viagem aérea pode, ou não, ser um inferno na terra - ou nos ares (piadinha infame). Eu viajo de econômica, então a minha sempre é. Dependendo do número de horas em que você vai passar empoleirado naquele pau-de-arara, esse inferno pode ser mais ou menos confortável. Como eu só fiz uma viagem de avião para dentro do Brasil, praticamente todas as minhas experiências aéreas foram terrivelmente insuportáveis, salvo o bimotor de quatro lugares que eu pilotei (no chão, claro), mas isso são outros quinhentos.
Para voltar de férias, comprei a passagem Lyon-Rio. O trajeto, no entanto, era: Lyon-Paris de trem, Paris-Rio de avião, mas tudo isso dentro da passagem da Air France. No dia anterior à viagem - é claro que eu NÃO ia notar isso com algum tempo de antecedência - eu percebi que entre o momento em que eu pisava na estação Chales de Gaule (já em Paris) até o momento em que o meu avião tiraria as rodinhas do chão, eu teria exatamente uma hora. E nesse tempo não estava incluído o atraso do trem, as três horas que você tem que chegar antes no aeroporto, o check-in, o “despachar as malas”, o “correr pelo imenso aeroporto de Paris”, o “se perder para encontrar a plataforma de embarque” e muito menos o “passar pela Polícia Federal de lá”. Fiquei preocupada, mas lá as coisas são mais organizadas, né? (É?)
Primeiro erro: Trem não atrasa na europa. Atrasa sim, basta que você precise desesperadamente que ele chegue no horário. O meu atrasou 15 minutos, diminuindo o tempo da minha jornada para 45 minutos.
Segundo erro: A passagem de trem era da Air France, então claro que eles vão me esperar. Aham… Vai nessa… Cheguei lá e o check-in pro meu vôo já estava fechado. Fiz cara de choro, de criança que ia viajar sozinha e, depois do esporro protocolar de “Você tem que chegar com tempo sobrando para o seus vôos” a simpática senhora abriu uma excessão pra mim.
Terceiro erro: Aviões também não atrasam na europa. Atrasam se forem para o Brasil. O meu demorou uma hora e meia, isso mesmo depois do esporro protocolar.
Eu já estava sentada na minha confortável poltroninha, na janela - não, eu não queria viajar na janela, porque todas as vezes que eu resolvesse ir ao banheiro, eu teria que pedir licença pra duas pessoas desconhecidas. Mas antes ir na janela e dividir o apoio de braço com uma pessoa do que sentar no meio e dividi-los com DUAS pessoas. De repente, não mais que de repente, um comissário chega para a nossa fileira:
- É que tem um bebê na fileira de lá, e as máscaras de oxigênio para bebês ficam do lado de cá, vocês se importam de trocar de lugar?
A minha primeira reação, e provavelmente dos outros dois desconhecidos também, foi: “Porque raios ninguém pensou nisso antes?” Todos fizemos cara de “mas eu comprei ESSA poltrona, e se ele precisar de máscara de oxigênio, provavelmente nós vamos ter problemas mais graves do que isso”. Até porque eu acho esse negócio de máscara de oxigênio, colete salva-vidas, aponta-pra-lá-aponta-pra-cá um monte de encheção de lingüiça. Nunca vi ninguém precisar disso e sair vivo.
- Vocês podem ficar tranquilos, vai dar no mesmo. Vocês vão se mudar para exatamente a mesma cadeira, só que do lado de lá.
Opa, agora ele começou a falar a minha língua. Se eu estou na janela do lado esquerdo, logo…… Eu vou para a janela do lado direito!
Pena que a cabeça dos comissários não funciona sempre igual a nossa - deve ser a altitude. Eis que, de repente, não mais que de repente, a minha viagem, que já estava prestes a ser insuportável, conseguiu piorar, e muito. A cadeira do bebê inconveniente não era na outra ponta, era no meio. E lá fui eu dividir os meus DOIS apoios de braço com um nerd - o que foi mais tranquilo - e com um gordo! Que sentava no meu colo, colocava a perna no meu lugar de perna e o cotovelo na minha barriga!
Até que eu descobri que eu sou claustrofóbica e não conseguia ficar ali. Levantei para chamar o comissário.
- Senhora, o aviso de apertar os cintos está aceso.
- Mas eu…
- Por favor, sente-se.
- Ok…
E assim se passaram dez horas da minha vida. Com um cotovelo gordo e pesado na barriga. Triste fim.
10
Aug
… aí vocês vão ver só…
04
Jun
A PUC é estranha. Não sei se todas as universidades são, mas a PUC é! O que você não faz no resto do período, você faz no último mês de aula! Custa dividir isso ao longo dos quatro meses? Custa guardar a nota para lançar no último mês? Alguém realmente acha que eu vou aprender a ser uma jornalista melhor se eu tiver gastrite, úlcera, alergia nervosa ou ataque de gula?
Explico: depois de alguns dias sem fazer nada, chegam os resultados das primeiras provas e os preparativos para as últimas. Merdas de notas. Merdas! E não venham comparar com qualquer curso de exatas, onde 2+2 são SEMPRE 4, e você não tem o que argumentar com o o professor. Tudo bem eu tirar uma nota mais ou menos em redação, onde o professor me explicou todos os motivos da minha nota mais ou menos, mas em história? Este último, conseguiu a proeza de dar notas baixas a todas as pessoas que leram todas as drogas de textos infelizes que ele mandou, estudaram igual uma vaca e foram em todas as aulas (lembrando que são às 7h da madrugada). Ele conseguiu a façanha de dar 10, repito: D-E-Z, para os que não leram droga nenhuma, falam a droga da aula inteira, quando vão! Isso é que é professor bom.
Mas isso é passado. Hoje, eu tenho trabalhos gigantes para fazer em todas as matérias - porque todos eles têm a idéia genial de deixar a matéria pior pra G2 - e a maioria em grupo. Trabalho em grupo não funciona.
Na verdade, eu vim falar sobre um em particular, que tem tirado as minhas noites de sono: jornalismo internacional. Como na primeira avaliação, eu tenho que trazer uma pauta (+/- uma “idéia de matéria) que:
1. não perca o timing até o fim de junho, quando ela vai ser entregue
2. não fique sem gancho (ex: terminar com algo tipo “a ONU vai discutir isso na próxima segunda-feira”)
3. não seja pontual (tem que dar pra abranger coisas maiores)
4. e o principal, querido leitor: não tenha sido publicado por nenhum jornal no Brasil!
5. ah! já ia me esquecendo: por ‘internacional’ ele entende política e economia, qualquer outro assunto pode ser jogado em outras editorias do jornal
Agora a pergunta que não quer calar: quais são as chances de eu achar algo interessante, que vai continaur sendo interessante no fim de junho, mas que não tenha interessado a nenhum outro veículo!?
Depois de duas semanas de desespero, eu fico sabendo que a minha professora de telejornalismo acaba de voltar pra editoria de Internacional na Globo News. Cá com os meus botões: “Eis a minha salvação!” Fui falar com ela, que perguntou: “Será que tem problema se for de economia?” “Claro que não, tá ótimo!” E me mandou uma pauta que não saiu na Globo News. Adorei. Todo mundo adorou.
O professor adorou? Claro que não…
Falo nada…
17
May
Eu minto para o médico. Confesso. Eu sou igual àquelas velhas chatas que demoram para ir ao médico e, quando vão, não estão mais doentes e ainda mentem. Eu gasto o meu tempo, o meu dinheiro e o tempo do médico, que pelo menos recebe o dele. Fui ao médico querendo descobrir a minha gastrite. Eu não fiz medicina, mas eu tinha certeza que era gastrite, porque era exatamente assim que eu imaginava que seria uma. Menti as primeiras três perguntas.
Você costuma tomar algum remédio? Não. - Mentira. Eu tomo Allegra 180 regularmente. Na verdade só quando eu tenho alergia, o que significa sempre que eu entro em contato com coisas que me são alergia, sempre que faz muito calor, sempre que o meu brinco inflama, sempre que a minha casa está cheia de poeira e sempre que eu estou estressada. Ou seja, regularmente.
Alguém na sua família já teve problema nessa área? Estomago, barriga e tal? (ele não falou “e tal”, mas foi praticamente) Não. - Mentira. Meu pai e minhas duas avós tiraram a vesícula e eu acho que, com três pessoas na família, o meu gen não deve ser muito recessivo (essa frase não fez sentido, mas é só pra explicar a gravidade da minha mentira).
Nesses dias em que você se sentiu mal, teve enjôo ou vômito? Não. - Meia verdade, eu não vomitei. Mas eu tive enjôo sim, quase desmaiei na rua voltando da casa da Raquel, quase passei mal no ônibus e passei o resto do dia dormindo de enjôo.
Agora, o quê (ó, meu deus, o quê!) me faz mentir compulsivamente assim que eu entro em um consultório? Sim, porque não é só quando eu entro para “uma consulta”. Ontem, fui entrevistar um médico sobre tabagismo. No meio da entrevista ele perguntou se eu fumava e eu quase disse que sim! Por que? Tem algo de muito errado com consultórios médicos. Ou comigo. Mas já estou aliviada de ter contado as minhas mentiras.
Ah sim! Hoje eu acordei igual um monstro alérgico novamente (lá se foram mais dois Allegras). Como o remédio do estômago iria cortar o efeito do anti-alérgico, eu não tomei hoje, e foi a segunda vez que eu deixo de tomar o remédio. Quando eu voltar no médico ele vai perguntar se eu tomei todos os dias direitinho. Adivinha o que eu vou dizer…